Fundamentos do Ensino a Distância
Tony Bates pioneiro e impulsionador do Ensino a Distância
Segundo
Bates (1999) é preciso compreender os
pontos fortes e fracos das diferentes tecnologias e os requisitos necessários
para que a sua aplicação seja eficaz, de modo a poder promover o
acesso e satisfazer as necessidades dos estudantes de forma flexível e aberta.
Este aspeto
é importante devido ao rápido desenvolvimento da tecnologia das comunicações.
De facto, a tecnologia proporciona
aos estudantes e aos governos a capacidade de transformar de forma radical todo
o sistema educativo, e em nenhuma parte é tão certo este aspeto como no
ensino aberto à distância. Também é importante uma compreensão do sistema e dos
requisitos operacionais para que haja êxito na aplicação da tecnologia na
educação e capacitação.
Bates (1999)
apresenta algumas premissas sobre a tecnologia e a tomada de decisões, entre as
quais destaca:
- As novas tecnologias como os computadores e
as videoconferências, não são melhores ou piores para o ensino-aprendizagem do
que as antigas tecnologias como seja os textos e a televisão. São
só diferentes entre si, por isso necessitamos de compreender as diferenças e as
circunstâncias apropriadas para a sua aplicação e como a vamos utilizar para
ensinar e poder aprender eficazmente.
- A escolha da tecnologia deve ser feita
segundo as necessidades dos estudantes e o contexto de trabalho e não pela
novidade.
- As lições aprendidas no passado com
tecnologias antigas são ainda importantes para as tecnologias mais novas.
- Cada vez
que em educação surge uma nova tecnologia esta converte-se na última moda, de
onde resulta que é a referida tecnologia que vai revolucionar o ensino. Muitas vezes, as pessoas desconhecem o que
aprenderam em contextos anteriores e ignoram, por exemplo a necessidade de
reorganizar e reestruturar o ensino, de modo a poder explorar ao máximo a nova
tecnologia.
- Existe uma relação direta entre a aplicação
da tecnologia e as diferentes ideologias de ensino-aprendizagem. A
eficácia de uma tecnologia não pode ser decidida sem haver primeiro os
conhecimentos básicos relativamente aos conceitos de ensino e aprendizagem.
- Pode-se
ainda dizer que é fácil ficar seduzido pela atração que tem a tecnologia mais
recente, porém é de notar que as tecnologias não se difundem de forma
equitativa e todas ao mesmo tempo. Inclusive em países industriais mais
avançados haverá alguns grupos que enfocam a educação a distância (EaD) e têm
acesso só à imprensa, à televisão e talvez ao telefone. Por outro lado, em
certos países em desenvolvimento muitas das novas tecnologias ultrapassam os
aspetos referidos anteriormente. Por esta razão, Bates dá a mesma atenção a cada tecnologia para a EaD, sem valorizar
tanto a data da sua criação.
A EaD é uma
das poucas áreas da educação onde a tecnologia tem sido fundamental para o
trabalho do docente. Uma das
caraterísticas das instituições de EaD é que estão focadas especificamente e
estruturadas, de modo a explorar o custo e os benefícios educativos da
tecnologia.
A EaD e o ensino aberto são uma prova que permite compreender o potencial
e as limitações da variedade de tecnologia na educação.
É ainda de
referir que a EaD encontra-se no limite ao aplicar a tecnologia à educação.
Assim, os avanços tecnológicos estão a tornar cada vez
mais insignificante a diferença entre a educação convencional e a EaD. A
tecnologia terá repercussões em todas as instituições educativas e mudará a sua
natureza.
História ou
início da EaD
A epístola de São Paulo aos Coríntios poderá ser considerada a primeira
forma de EaD. No
entanto, esta no sentido moderno
começou no século XIX com o estabelecimento de alguns colégios comerciais por
correspondência, o qual foi possível através do desenvolvimento de
um serviço postal, rápido e seguro.
Durante
muitos anos as pessoas que viviam no estrangeiro puderam apresentar os eus
exames na Universidade de Londres, porque estudavam por correspondência.
Muito antes
da Segunda Guerra Mundial, os campos universitários da América do Norte
ofereciam serviços externos a adultos que viviam e trabalhavam longe da
Universidade.
Geralmente e apesar do sucesso de alguns estudantes, a
educação por correspondência não tinha boa fama, visto caraterizar-se por
possuir elevadas taxas de abandono e baixas taxas de aprovações.
Em 1969 a criação da British Open University, marcou de duas maneiras uma
separação no desenvolvimento da EaD. Não só foi a primeira instituição estruturada única e
especificamente para a EaD por graus, mas também foi estruturada como uma instituição de ensino que utiliza diversos
meios, combinando de modo integrado os textos impressos, a transmissão e o
ensino ao vivo. O seu orçamento anual de negócio é de quase 100
milhões de libras esterlinas (150 milhões de dólares) e forma 9% dos estudantes
não graduados na Grã-Bretanha por ano a um custo que representa 5% do orçamento
de operacionalização para as universidades. Este aspeto reflete o potencial de
uma elevada inversão relativamente ao aumento de produção no ensino com apoios
tecnológicos.
A difusão da educação superior para adultos, a distância e através do uso
da tecnologia, por parte da Open University, produziu uma organização bastante
diferente das universidades convencionais. Portanto, é um excelente exemplo das mudanças
estruturais de organização necessárias para a aplicação sistemática a grande
escala da tecnologia em educação.
Diferença
entre Ensino Aberto e EaD
Embora os
termos se empreguem para designar um mesmo aspeto, apresentam algumas
diferenças:
O ensino aberto é principalmente uma meta ou uma política educativa:
consiste em ensinar de um modo flexível, sem limitações geográficas, sociais e
de tempo, ao contrário do que se verifica numa instituição educativa.
A EaD é um meio que tem esse objetivo: é uma forma mediante a qual os estudantes podem
estudar de maneira flexível, longe do autor do material pedagógico; de acordo
com a sua disponibilidade de tempo, num lugar de sua preferência e sem contato
com o professor.
O ensino
aberto pode incluir a educação a distância ou depender de outras formas
flexíveis de ensino, inclusive uma combinação de estudo independente e de
ensino ao vivo. Também pode incluir outros conceitos, como acesso aberto sem
pré-requisitos.
Tanto a EaD como a aberta nunca se encontram nas
suas formas puras. Nenhum sistema de ensino é totalmente aberto e
poucos estudantes estudam sempre sozinhos. Por conseguinte, há graus de
abertura e de distância. É mais provável que a distância seja psicológica ou
social em vez de ser geográfica na maioria dos casos.
Embora o ensino aberto e a EaD possam significar
diferentes coisas, o único aspeto que têm em comum consiste na tentativa de
proporcionar meios alternativos, permitindo uma alta qualidade na educação e
formação para as pessoas que não podem ou não querem assistir a instituições
convencionais.
Referência
bibliográfica
Bates, A. W.
(1999). La tecnologia en la enseñanza abierta y la educación a
distancia. México: Trillas. Recuperado em 8/12/2014 de http://www.facmed.unam.mx/emc/computo/infoedu/modulos/modulo2/material2a.pdf
Segue apresentação do trabalho realizado em grupo sobre Tony Bates

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