Com este blog proponho-me partilhar documentos e conhecimentos relativos às Unidades Curriculares do Mestrado em Pedagogia do Elearning promovido pela Universidade Aberta durante os anos 2014-2016.
Educação e Sociedade em Rede
O FENÓMENO DA CIBERCULTURA
O primeiro documento que desejo apresentar insere-se na Unidade Curricular Educação e Sociedade em Rede e consiste numa breve análise do livro de Pierre Lévy sobre o "Cibercultura", um comentário sobre a noção de cibercultura defendida pelo autor e ainda a apresentação de três exemplos significativos.
O livro sobre
Cibercultura de Pierre Lévy (2000) trata de questões relacionadas com a cibercultura;
as alterações que a cibercultura gera na educação e na formação; as formas
artísticas expostas pelos computadores e as redes sociais; o desenvolvimento do
ciberespaço, como este afeta o espaço urbano e a organização do território, e ainda
as implicações culturais das novas tecnologias.
A obra divide-se em
três partes: Definições, Proposições e Problemas.
Em definições, Lévy reflete acerca do
impacto das tecnologias sobre a construção da inteligência coletiva, cujo termo,
devido às suas contradições, foi denominado pelo autor como “veneno e remédio
da cibercultura”. O autor refere ainda que a sociedade está condicionada, mas
não determinada pela técnica e prossegue dando especial destaque à potencialidade
interativa do ciberespaço.
A comunicação por mundos virtuais é, portanto, em certo sentido, mais interativa
que a comunicação telefónica, uma vez que implica, na mensagem, tanto a imagem
da pessoa como a da situação, que são quase sempre aquilo que está em jogo na
comunicação (Lévy, 1999: 81).
Relativamente às proposições que corresponde à segunda
parte do livro, o autor centra as suas atenções na cibercultura, compreendida segundo
diversas perspetivas: a essência, o movimento social, o som, a arte. E emana
ainda considerações sobre a nova relação com o saber, a partir da cibercultura,
assim como as consequências que se verificam na educação, na formação e na
construção da inteligência coletiva.
Quanto à terceira
parte do livro referente aos problemas
o autor assinala que “não há um impacto automático ou predeterminado das novas
tecnologias sobre a sociedade e a cultura”. Sabe-se que o ciberespaço constitui
um campo de batalha não só para os industriais da comunicação como também para
o dos programas. Existe ainda uma outra visão que se relaciona com a do
movimento social que propaga a cibercultura, inspirado pelo desenvolvimento das
trocas de saberes, das novas formas de cooperação e de criação coletiva nos
mundos virtuais.
Segundo Lévy (1999) o
melhor uso que possa ser feito dos instrumentos de comunicação com suporte
digital consiste na conjugação das inteligências e das imaginações humanas. A
inteligência coletiva é uma inteligência variada, distribuída por todos os
lugares, constantemente valorizada, a sua finalidade é colocar os recursos de
grandes coletividades ao serviço das pessoas e dos grupos, por isso pode-se
dizer que se trata de um projeto humanístico, porque está ao serviço da pessoa
que utiliza os devidos instrumentos de comunicação.
O autor reitera as vantagens
do ciberespaço, ao afirmar que o mesmo se ergue em meio a atividades
espontâneas, descentralizadas e participativas. O ciberespaço pode ser
considerado uma virtualização da realidade, uma migração do mundo real para um
mundo de interações virtuais. Diz ainda que o ciberespaço envolve alterações profundas na nossa maneira
de pensar, de dar sentido ao mundo, de nos relacionarmos uns com os outros e de
organizar a sociedade, ou seja, uma nova abordagem do conhecimento que para ser
transmitido é preciso que cada individuo refaça a sua experiência, recriando o
mundo a partir do seu ponto de vista.
Assim, ao
constituir-se em um novo espaço de sociabilidade, estabelecem-se novas formas
de relações sociais com códigos e estruturas próprias.
Como conclusão,
Lévy (2000) refere que a cibercultura consubstancia-se como elemento inerente à
terceira etapa da evolução humana, a qual consiste num movimento social e cultural
que se encontra subjacente às novas tecnologias, que possibilitam o acesso a
comunidades no espaço eletrónico virtual através da utilização da Internet e de
outras tecnologias de comunicação, permitindo assim uma maior aproximação entre
as pessoas, independentemente da distância a que se possam encontrar.
Pode-se dizer que a
cibercultura é a cultura contemporânea fortemente marcada pelas tecnologias
digitais entre as quais se podem enumerar: home banking, cartões inteligentes,
voto eletrónico, inscrições e pagamentos via Internet, blogs, jogos online, entre outras, o que prova que a
cibercultura está presente na vida quotidiana de cada individuo.
Relativamente aos três
exemplos de cibercultura solicitados apresento os seguintes:
Correio eletrónico (E-mail)
O correio eletrónico (também conhecido por e-mail, é a forma abreviada do termo inglês electronic mail) é um serviço que permite trocar mensagens através de sistemas de comunicação eletrónicos. O conceito é principalmente usado para fazer alusão ao sistema que proporciona este serviço através da Internet mediante o protocolo SMTP (Simple Mail Transfer Protocol), mas também permite fazer referência a outros sistemas similares que recorrem a várias tecnologias. As mensagens de e-mail possibilitam o envio, não só de textos, como de qualquer tipo de documento digital (imagens, vídeos, áudios, etc.).
O funcionamento do e-mail é semelhante ao
do correio postal (tradicional). Ambos permitem enviar e receber mensagens, as
quais chegam ao destino graças à existência de um endereço. O e-mail também tem
as suas próprias caixas de correio que são os servidores que guardam
temporariamente as mensagens até que o destinatário as reveja.
O serviço de e-mail é prestado sob duas
modalidades: aquela conhecida por correio web
ou webmail, em que as mensagens são
enviadas e recebidas através de uma página web
concebida especialmente para o efeito e o serviço através de um cliente de
e-mail, que consiste num programa de computador que permite fazer a gestão das
mensagens recebidas e redigir novas.
Redes sociais
O conceito de rede social adquiriu a sua
importância recentemente e a sua expressão associa-se a nomes como Facebook,
Twitter, entre outros.
Uma rede social é uma estrutura social
formada por pessoas ou entidades unidas entre si, por um ou vários tipos de
relações, que partilham valores e objetivos comuns através da Internet.
No entanto, o seu significado é bastante mais
amplo e complexo, visto que a partir destas redes sociais têm-se desenvolvido
teorias de diferentes tipos que procuram explicar o seu funcionamento e servem de
base para o seu progresso.
Com a Web 2.0, as redes sociais na
Internet passaram a ocupar um lugar relevante no que respeita as relações pessoais
e são um novo modo de usar e entender a Internet.
Jogos online
Os jogos online são jogos onde participam
pessoas todas ao mesmo tempo, a partir de diferentes computadores,
transformando-se numa batalha virtual entre os jogadores.
O facto de ser online quer dizer que se
joga através de uma linha de Internet, isto é em tempo real e através de uma
rede.
A maior parte dos jogos online são sobre
guerras onde as personagens são os jogadores. No entanto, existem outros jogos
online que são menos violentos, mas estes atraem menos público.
Presentemente, os jogos online podem-se
jogar com ou sem Internet. Quando não há ligação à Internet pode-se jogar com
uma rede local, basta para isso possuir o equipamento ou harware necessário e
que o sistema dos computadores esteja ligado à rede.
Os jogos online que se realizam através da
Internet são os mais utilizados, porque pode-se jogar com qualquer pessoa que
esteja ligada ao servidor. Por exemplo, se uma pessoa está nos Estados Unidos e
outra na China e ambas estão ligadas ao mesmo servidor, estas pessoas e muitas
outras podem partilhar o mesmo jogo.
Referências bibliográficas
Referências bibliográficas
Cibercultura. Recuperado em 30/11/2014 de http://pt.wikipedia.org/wiki/Cibercultura
Conceito de correio eletrónico. Recuperado em 30/11/2014 de http://conceito.de/correio-electronico.
Conceito de correio eletrónico. Recuperado em 30/11/2014 de http://conceito.de/correio-electronico.
Lévy, Pierre (2000). Cibercultura. Lisboa: Instituto Piaget.
Lévy, Pierre (1999). Cibercultura. São Paulo: Editora 34.
Recuperado em 30/11/2014 de http://www.unifai.edu.br/upload/aula/Cibercultura-Pierre-Levy%20.pdf
Mis respuestas.com. Qué son los juegos online o en
línea? Recuperado em 1/12/2014 de http://www.misrespuestas.com/que-son-los-juegos-online.html
Ponce-Kidatiza, I. (2012). Monográfico:
redes sociales – Definición de redes sociales. Internet – Web 2.0. Recuperado
em 1/12/2014 de http://recursostic.educacion.es/observatorio/web/eu/internet/web-20/1043-redes-sociales?start=1

Teórica e virtualmente, cada vez mais fico com a sensação que a inteligência coletiva é uma espécie de espaço ideal, onde num processo positivo de partilha se chega a respostas para os problemas (sabemos que na prática não é bem assim). Que tópicos achas que poderá ter este movimento de partilha coletiva trazer para as questões de Paz?
ResponderExcluirObrigada Ana, pelo comentário e por esta pergunta. Desculpa responder-te só agora. Já a tinha visto, mas depois perdi-lhe o rasto. Ainda bem que a encontrei...
ExcluirSó o facto de ser um movimento de partilha já é um modo de estar a construir a paz, porque a esta não é mais do que uma interação entre as pessoas em que se procura viver a denominada ”Regra de Ouro” que é universal para toda e qualquer cultura, pois encontra-se:
- China: “Não imponhas aos outros o que não escolherias para fazer”
- Egipto: “O que detestas que te façam não faças aos outros”
- Grécia: “Evita fazer o que não consideras correto que outros façam”
- Índia: “Trata os outros como te tratas a ti mesmo”
- Antigo Testamento: “Ama o teu vizinho como te amas a ti mesmo”
- Novo Testamento: "Ama os outros como a ti mesmo"
- O Corão: “Deseja ao teu irmão o que desejas a ti próprio”.
Posso ainda acrescentar que as dimensões da paz não têm limites: são pessoais e comunitárias, materiais e espirituais, económicas e políticas, culturais e educativas. Em cada uma destas dimensões, o diálogo fraterno, a confiança recíproca entre as pessoas e entre os povos, o confronto com outras perspetivas intelectuais e espirituais, ocupam um lugar importante.
A paz é um valor humano de grande amplitude, é um processo de relações pessoais, sociais e ambientais que tende à justiça, ao desenvolvimento, ao respeito pelos direitos humanos e à democracia.
Caso queiras saber mais sobre a paz e a educação para a paz, podes consultar a minha tese de doutoramento que se encontra no seguinte link: http://ruc.udc.es/dspace/handle/2183/997
Um grande abraço
Emanuel