terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Mestrado em Pedagogia do E-Learning

Com este blog proponho-me partilhar documentos e conhecimentos relativos às Unidades Curriculares do Mestrado em Pedagogia do Elearning promovido pela Universidade Aberta durante os anos 2014-2016.

Educação e Sociedade em Rede



O FENÓMENO DA CIBERCULTURA



O primeiro documento que desejo apresentar insere-se na Unidade Curricular Educação e Sociedade em Rede e consiste numa breve análise do livro de Pierre Lévy sobre o "Cibercultura", um comentário sobre a noção de cibercultura defendida pelo autor e ainda a apresentação de três exemplos significativos.




O livro sobre Cibercultura de Pierre Lévy (2000) trata de questões relacionadas com a cibercultura; as alterações que a cibercultura gera na educação e na formação; as formas artísticas expostas pelos computadores e as redes sociais; o desenvolvimento do ciberespaço, como este afeta o espaço urbano e a organização do território, e ainda as implicações culturais das novas tecnologias.
A obra divide-se em três partes: Definições, Proposições e Problemas.
Em definições, Lévy reflete acerca do impacto das tecnologias sobre a construção da inteligência coletiva, cujo termo, devido às suas contradições, foi denominado pelo autor como “veneno e remédio da cibercultura”. O autor refere ainda que a sociedade está condicionada, mas não determinada pela técnica e prossegue dando especial destaque à potencialidade interativa do ciberespaço.
A comunicação por mundos virtuais é, portanto, em certo sentido, mais interativa que a comunicação telefónica, uma vez que implica, na mensagem, tanto a imagem da pessoa como a da situação, que são quase sempre aquilo que está em jogo na comunicação (Lévy, 1999: 81).
Relativamente às proposições que corresponde à segunda parte do livro, o autor centra as suas atenções na cibercultura, compreendida segundo diversas perspetivas: a essência, o movimento social, o som, a arte. E emana ainda considerações sobre a nova relação com o saber, a partir da cibercultura, assim como as consequências que se verificam na educação, na formação e na construção da inteligência coletiva.
Quanto à terceira parte do livro referente aos problemas o autor assinala que “não há um impacto automático ou predeterminado das novas tecnologias sobre a sociedade e a cultura”. Sabe-se que o ciberespaço constitui um campo de batalha não só para os industriais da comunicação como também para o dos programas. Existe ainda uma outra visão que se relaciona com a do movimento social que propaga a cibercultura, inspirado pelo desenvolvimento das trocas de saberes, das novas formas de cooperação e de criação coletiva nos mundos virtuais.
Segundo Lévy (1999) o melhor uso que possa ser feito dos instrumentos de comunicação com suporte digital consiste na conjugação das inteligências e das imaginações humanas. A inteligência coletiva é uma inteligência variada, distribuída por todos os lugares, constantemente valorizada, a sua finalidade é colocar os recursos de grandes coletividades ao serviço das pessoas e dos grupos, por isso pode-se dizer que se trata de um projeto humanístico, porque está ao serviço da pessoa que utiliza os devidos instrumentos de comunicação.
O autor reitera as vantagens do ciberespaço, ao afirmar que o mesmo se ergue em meio a atividades espontâneas, descentralizadas e participativas. O ciberespaço pode ser considerado uma virtualização da realidade, uma migração do mundo real para um mundo de interações virtuais. Diz ainda que o ciberespaço envolve alterações profundas na nossa maneira de pensar, de dar sentido ao mundo, de nos relacionarmos uns com os outros e de organizar a sociedade, ou seja, uma nova abordagem do conhecimento que para ser transmitido é preciso que cada individuo refaça a sua experiência, recriando o mundo a partir do seu ponto de vista.
Assim, ao constituir-se em um novo espaço de sociabilidade, estabelecem-se novas formas de relações sociais com códigos e estruturas próprias.
Como conclusão, Lévy (2000) refere que a cibercultura consubstancia-se como elemento inerente à terceira etapa da evolução humana, a qual consiste num movimento social e cultural que se encontra subjacente às novas tecnologias, que possibilitam o acesso a comunidades no espaço eletrónico virtual através da utilização da Internet e de outras tecnologias de comunicação, permitindo assim uma maior aproximação entre as pessoas, independentemente da distância a que se possam encontrar.
Pode-se dizer que a cibercultura é a cultura contemporânea fortemente marcada pelas tecnologias digitais entre as quais se podem enumerar: home banking, cartões inteligentes, voto eletrónico, inscrições e pagamentos via Internet, blogs, jogos online, entre outras, o que prova que a cibercultura está presente na vida quotidiana de cada individuo.


Relativamente aos três exemplos de cibercultura solicitados apresento os seguintes:

Correio eletrónico (E-mail)

O correio eletrónico (também conhecido por e-mail, é a forma abreviada do termo inglês electronic mail) é um serviço que permite trocar mensagens através de sistemas de comunicação eletrónicos. O conceito é principalmente usado para fazer alusão ao sistema que proporciona este serviço através da Internet mediante o protocolo SMTP (Simple Mail Transfer Protocol), mas também permite fazer referência a outros sistemas similares que recorrem a várias tecnologias. As mensagens de e-mail possibilitam o envio, não só de textos, como de qualquer tipo de documento digital (imagens, vídeos, áudios, etc.).
O funcionamento do e-mail é semelhante ao do correio postal (tradicional). Ambos permitem enviar e receber mensagens, as quais chegam ao destino graças à existência de um endereço. O e-mail também tem as suas próprias caixas de correio que são os servidores que guardam temporariamente as mensagens até que o destinatário as reveja.
O serviço de e-mail é prestado sob duas modalidades: aquela conhecida por correio web ou webmail, em que as mensagens são enviadas e recebidas através de uma página web concebida especialmente para o efeito e o serviço através de um cliente de e-mail, que consiste num programa de computador que permite fazer a gestão das mensagens recebidas e redigir novas.


Redes sociais



O conceito de rede social adquiriu a sua importância recentemente e a sua expressão associa-se a nomes como Facebook, Twitter, entre outros.
Uma rede social é uma estrutura social formada por pessoas ou entidades unidas entre si, por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns através da Internet.
No entanto, o seu significado é bastante mais amplo e complexo, visto que a partir destas redes sociais têm-se desenvolvido teorias de diferentes tipos que procuram explicar o seu funcionamento e servem de base para o seu progresso.
Com a Web 2.0, as redes sociais na Internet passaram a ocupar um lugar relevante no que respeita as relações pessoais e são um novo modo de usar e entender a Internet.


Jogos online


Os jogos online são jogos onde participam pessoas todas ao mesmo tempo, a partir de diferentes computadores, transformando-se numa batalha virtual entre os jogadores.
O facto de ser online quer dizer que se joga através de uma linha de Internet, isto é em tempo real e através de uma rede.
A maior parte dos jogos online são sobre guerras onde as personagens são os jogadores. No entanto, existem outros jogos online que são menos violentos, mas estes atraem menos público.
Presentemente, os jogos online podem-se jogar com ou sem Internet. Quando não há ligação à Internet pode-se jogar com uma rede local, basta para isso possuir o equipamento ou harware necessário e que o sistema dos computadores esteja ligado à rede.
Os jogos online que se realizam através da Internet são os mais utilizados, porque pode-se jogar com qualquer pessoa que esteja ligada ao servidor. Por exemplo, se uma pessoa está nos Estados Unidos e outra na China e ambas estão ligadas ao mesmo servidor, estas pessoas e muitas outras podem partilhar o mesmo jogo.

Referências bibliográficas
Cibercultura. Recuperado em 30/11/2014 de http://pt.wikipedia.org/wiki/Cibercultura
Conceito de correio eletrónico. Recuperado em 30/11/2014 de http://conceito.de/correio-electronico.
Lévy, Pierre (2000). Cibercultura. Lisboa: Instituto Piaget.
Lévy, Pierre (1999). Cibercultura. São Paulo: Editora 34. Recuperado em 30/11/2014 de http://www.unifai.edu.br/upload/aula/Cibercultura-Pierre-Levy%20.pdf
Mis respuestas.com. Qué son los juegos online o en línea? Recuperado em 1/12/2014 de http://www.misrespuestas.com/que-son-los-juegos-online.html
Ponce-Kidatiza, I. (2012). Monográfico: redes sociales – Definición de redes sociales. Internet – Web 2.0. Recuperado em 1/12/2014 de http://recursostic.educacion.es/observatorio/web/eu/internet/web-20/1043-redes-sociales?start=1

2 comentários:

  1. Teórica e virtualmente, cada vez mais fico com a sensação que a inteligência coletiva é uma espécie de espaço ideal, onde num processo positivo de partilha se chega a respostas para os problemas (sabemos que na prática não é bem assim). Que tópicos achas que poderá ter este movimento de partilha coletiva trazer para as questões de Paz?

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    1. Obrigada Ana, pelo comentário e por esta pergunta. Desculpa responder-te só agora. Já a tinha visto, mas depois perdi-lhe o rasto. Ainda bem que a encontrei...

      Só o facto de ser um movimento de partilha já é um modo de estar a construir a paz, porque a esta não é mais do que uma interação entre as pessoas em que se procura viver a denominada ”Regra de Ouro” que é universal para toda e qualquer cultura, pois encontra-se:
      - China: “Não imponhas aos outros o que não escolherias para fazer”
      - Egipto: “O que detestas que te façam não faças aos outros”
      - Grécia: “Evita fazer o que não consideras correto que outros façam”
      - Índia: “Trata os outros como te tratas a ti mesmo”
      - Antigo Testamento: “Ama o teu vizinho como te amas a ti mesmo”
      - Novo Testamento: "Ama os outros como a ti mesmo"
      - O Corão: “Deseja ao teu irmão o que desejas a ti próprio”.

      Posso ainda acrescentar que as dimensões da paz não têm limites: são pessoais e comunitárias, materiais e espirituais, económicas e políticas, culturais e educativas. Em cada uma destas dimensões, o diálogo fraterno, a confiança recíproca entre as pessoas e entre os povos, o confronto com outras perspetivas intelectuais e espirituais, ocupam um lugar importante.
      A paz é um valor humano de grande amplitude, é um processo de relações pessoais, sociais e ambientais que tende à justiça, ao desenvolvimento, ao respeito pelos direitos humanos e à democracia.

      Caso queiras saber mais sobre a paz e a educação para a paz, podes consultar a minha tese de doutoramento que se encontra no seguinte link: http://ruc.udc.es/dspace/handle/2183/997

      Um grande abraço
      Emanuel

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