terça-feira, 10 de março de 2015

Modelos de Educação a Distância

Os MOOCs e a educação online

Universidade Aberta, Portugal


RESUMO: Este artigo tem como objetivo conhecer o que se entende por MOOCs e qual a sua função no que respeita à educação online. Atualmente considera-se importante a realização de MOOCs para a sociedade mundial. Pois trata-se de cursos online, de acesso ilimitado, gratuitos, abertos e para os quais basta estar ligado à Internet. Num primeiro momento, parece algo simples e muito acessível, mas se ponderarmos que é em todo o mundo que estes cursos têm a possibilidade de serem acedidos já não é tão simples, basta pensar nos países cuja Internet é de difícil acesso e sobretudo custosa. Neste estudo abordam-se temas como a noção de MOOCs, os seus aspetos negativos e positivos, as suas caraterísticas, dois tipos de MOOCS, os xMOOOCs e os cMOOOCs, apresenta-se a metodologia aplicada, os resultados obtidos no estudo e as respetivas conclusões.  
Palavras-chave: Educação online, flexibilidade, MOOCs, cMOOCs e xMOOCs
Abstract: This article aims to know what is meant by MOOCs and what is its function with regard to online education. Currently it is considered important to conduct MOOCs to world society. Because it's online courses, unlimited access, free, open and for which just connect to the Internet. At first, it seems something simple and very affordable, but if we ponder that is in the world that these courses are able to be accessed is not so simple, just think in countries where Internet access is difficult and especially costly. This study-cover topics such as the concept of MOOCs, its negative and positive aspects, its features, two types of MOOCS, the xMOOOCs and cMOOOCs the applied methodology is presented, the results obtained in the study and their respective conclusions 
Keywords: Flexibility, MOOCs, cMOOCs, xMOOCs and online education.
Introdução
Este artigo sobre “Os MOOCs e a educação online” tem como objetivo conhecer o que se entende por MOOCs e qual a sua função no que respeita à educação online.
Usou-se como base bibliográfica diversa documentação do autor Tony Bates, estudos realizados na Universidade Aberta de Portugal, no âmbito Modelo MOOC, “The International Review of Research in Open and Distributed Learning” e “eLearning Papers” nº 33 e 37.
É de relevar que a Universidade Aberta de Portugal (UAb.pt) “desenvolveu um modelo pedagógico específico para cursos abertos massivos online, tornando-se assim na primeira universidade no mundo a realizar o modelo iMOOC (imooc.uab.pt).
Neste estudo procura-se abordar o que se entende por MOOCs, os seus aspetos negativos e positivos, as suas caraterísticas e os diversos tipos de MOOCs. 
No que se refere à metodologia, trata-se de uma investigação feita a partir de textos de referência fornecidos pela coordenação do Mestrado.
Como conclusão constata-se que a abordagem dos MOOCs é recente, o que implica a necessidade de uma investigação cuidada e aprofundada o que não foi possível fazer, como se desejaria, num artigo de quatro páginas como este.

1. Enquadramento teórico

1.1. Noção de MOOCs

Entende-se por MOOCs os cursos abertos massivos online (MOOC - Massive Open Online Courses) que têm como objetivo criar uma ligação entre o mundo académico e a dinâmica social, nomeadamente no que se refere às empresas e aos empregadores. 
É através destes cursos que as Universidades preparam um elevado número de pessoas para o mercado de trabalho adquirindo novas competências para o mesmo. Trata-se de uma experiência de aprendizagem não-formal. 
Os MOOCs realizados pela UAb.pt, segundo Teixeira e Mota (2013) têm como base quatro pilares do Modelo Pedagógico Virtual (MPV): “a aprendizagem centrada no estudante, a flexibilidade, a interação e a inclusão digital”. Estes aspetos permitem que os estudantes possam estabelecer uma relação entre a aprendizagem autónoma e autodirigida com uma dimensão social, articulando a flexibilidade com a concretização do trabalho que desejam realizar.
Embora o tema sobre MOOCs seja relevante para o ensino na era digital, estes apresentam aspetos quer negativos quer positivos que são abordados em seguida.

1.2. Aspetos negativos dos MOOCs 

Abordar a questão dos MOOCs atualmente é uma questão ingrata, porque é um assunto recente e que tem sido pouco tratado. 
Segundo Bates (2014c) a maior parte das investigações sobre MOOCs provêm das informações dadas pelas universidades, através do número de matrículas nas plataformas comerciais como Coursera e Udacity. É relevante saber que os MOOCs constam de um fenómeno marcado, em parte, pelo discurso político e que não existem ainda provas concretas suficientes que permitam o seu esclarecimento.
Os MOOCs nem sempre são bem creditados pelos empregadores, pois tal como referem Christensen, M. e Weise, R. (2014), alguns empregadores consideram que nem estes cursos são proveitosos, nem tão pouco a formação adquirida pelos empregados que estudaram através desta modalidade. Por exemplo Gallup, citado por Christensen e Weise (2014), refere que noventa e seis por cento dos diretores académicos são do parecer que os MOOCs preparam convenientemente os alunos permitindo-lhes adquirir um bom trabalho, enquanto que só onze por cento dos empregadores consideram que os formandos com cursos MOOCs possuem competências “necessárias para o sucesso no mercado de trabalho”. É importante ter em consideração esta discrepância de valores que pode ser devida ao facto de, estes cursos não estarem ainda bem implementados.

1.3. Aspetos positivos dos MOOCs

Um aspeto que é importante evidenciar consiste no facto dos xMOOCs fornecerem gratuitamente conteúdos de alta qualidade das melhores universidades mundiais para qualquer pessoa, basta que esteja ligada à Internet. 
Neste sentido são uma oferta valiosa no que respeita a educação sobretudo para quem possui pouca flexibilidade, como é o caso dos adultos. No entanto, este método não é único no que respeita a educação aberta livre, mas é o que possui maior alcance, porque basta estar conectado com a Internet para ter acesso em qualquer parte do mundo. Pode-se pois dizer que os MOOCs são uma ferramenta para educação contínua e informal (Bates, 2014c).
Os MOOCs têm a vantagem de ser também uma oferta de aprendizagem para um ilimitado número de pessoas, que ultrapassa o de estudantes dos cursos formais, permitindo a aprendizagem num ambiente digital virtual e conduzindo à inclusão digital. Assim, desenvolvem-se aprendizagens pessoais integradas em comunidades online como as redes sociais. Facilita ainda a obtenção de competências necessárias para o progresso nos diversos trabalhos. Deste modo os MOOCs aprofundam os ideais da educação aberta e o acesso generalizado ao conhecimento.
Os MOOCs podem ser também um útil contributo para a educação contínua não-formal, no entanto é preciso verificar se garantem o sucesso dos estudantes, sobretudo dos que mais necessitam e se encontram empregados. Para responder a esta interrogação serão abordadas algumas caraterísticas dos MOOCs.

1.4. Caraterísticas dos MOOCs

Todos os MOOCs possuem algumas caraterísticas idênticas, embora para Bates (2014c) “o termo MOOC abrange uma gama cada vez maior de projetos”. Entre as caraterísticas que se evidenciam nos MOOCs são de destacar as seguintes:
Online – a aprendizagem online baseada em créditos está cada vez mais expandida nas universidades. De acordo com Allen e Seaman (citado por Bates, 2014c) as matrículas nos cursos online estão entre um quarto e um terço de todas as matrículas universitárias nos EUA. É ainda de referir que as matrículas online têm vindo a aumentar cerca de dez a vinte por cento ao ano, nos últimos quinze anos, enquanto que as matrículas para as aulas presenciais têm crescido apenas dois a três por cento ao ano. Nos EUA existem aproximadamente sete milhões de estudantes que estudaram através de cursos totalmente online (Bates, 2014c). Pode-se portanto dizer que a aprendizagem online é uma componente essencial em muitas universidades.
Massivos – Coursera, após três anos do lançamento dos MOOCs, possui sete milhões e meio de inscrições. É no entanto preciso ter presente que os elevados números de pessoas que se inscreveram nos primeiros MOOCs nem sempre continuaram a sua inscrição nos anos seguintes, embora os números sejam ainda bastante elevados em relação ao ensino presencial. (Engle, 2014, citado por Bates, 2014c).
Os MOOCs não possuem limite de inscrições e o custo de cada estudante é praticamente nulo para as universidades que os promovem (Bates, 2014c). O seu contínuo crescimento tem atraído a atenção dos governos. 
Abertos – a acesso aos MOOCs é livre, embora atualmente um elevado número de MOOCs estipule um preço para a realização da avaliação e para a obtenção do certificado. Destaca-se ainda que os MOOCs não são completamente abertos, porque por exemplo Coursera possui direitos sobre os materiais que não podem ser reaproveitados nem reutilizados sem autorização e são retirados após o fim do curso. Além disso é Coursera que decide quais as instituições que podem sediar MOOCs nas suas plataformas, verificando-se assim que não é um acesso aberto para as instituições. 
EDX é também uma plataforma online aberta, mas onde qualquer instituição pode desenvolver os seus próprios MOOCs seguindo as regras alusivas aos direitos sobre os materiais produzidos no e para o curso.
Cursos – uma caraterística que diferencia os MOOCs de outros recursos educativos abertos é o facto de serem organizados em cursos completos. Este aspeto não é claro para os intervenientes, pois não obstante os MOOCs ofereçam certificados que comprovam a conclusão bem sucedida do curso, até à data, não têm sido aceites admissões por parte das instituições que oferecem os mesmos MOOCs. O que faz com que os MOOCs sejam únicos é o facto de possuírem uma expansão massiva, serem abertos, online e gratuitos para os intervenientes.

1.5. Tipos de MOOCs

Segundo Bates (2014a) os cursos MOOCs iniciais possuíam projetos semelhantes aos MOOCs atuais. No entanto, existem “duas posições filosóficas subjacentes xMOOCs e cMOOCs” o que permite olhar para cada modelo de design separadamente.
xMOOCs são os mais comuns e os seus  instrutores têm uma certa flexibilidade na conceção do curso. Foram realizados inicialmente por professores da Universidade de Stanford e Harvard baseando-se num modelo de transmissão de informação, por vídeos online com registos de palestras curtas, testes automatizados e uma avaliação feita por computador e/ou através da revisão por pares. Estes MOOCs são oferecidos através de plataformas de software baseados no Coursera, Udacity e EDX. Não há quase nenhuma interação entre o participante e o instrutor responsável pelo curso.
cMOOCs baseiam-se na aprendizagem em rede que se desenvolve através de meios de comunicação social aberto, das conexões e discussões entre os participantes. Não há plataforma de tecnologia padrão para cMOOCs, pois utilizam uma combinação de webcasts, blogs, tweets, software e fóruns de discussão on-line. O currículo não é pré-estabelecido, assim como qualquer relação entre instrutor e aluno. Os participantes aprendem a partir das contribuições uns dos outros, do conhecimento criado a partir da comunidade e da auto-reflexão sobre as próprias contribuições. Não há nenhuma tentativa de avaliação formal.

2. Metodologia usada nos estudos

A metodologia utilizada neste estudo consta de uma pesquisa bibliográfica exploratória, a qual se iniciou com a caraterização do problema e da sua definição que neste estudo consiste em conhecer o que se entende por MOOCs e qual a sua função no que respeita à educação online. Relativamente à pesquisa bibliográfica esta permitiu adquirir um certo conhecimento científico sobre o tema e quanto ao aspeto exploratório proporcionou uma maior familiaridade com a questão e um levantamento bibliográfico sobre a mesma.

3. Resultados obtidos nos estudos

Dos estudos investigados constata-se que os MOOCs são um modelo ainda recente que necessita de um grande aprofundamento. No entanto, quanto à sua utilidade existem opiniões distintas, pois enquanto autores como Clayton Christensen (2010), citado por Bates (2014b) referem que os MOOCs são um modelo tecnológico que “vai mudar o mundo da educação”, outros argumentam que os MOOCs não são um grande negócio, mas apenas uma versão mais moderna de radiodifusão educativa, e não afetam os fundamentos básicos da educação nem abordam o tipo de aprendizagem necessária para o século XXI.
Este estudo foi ao encontro dos objetivos propostos, pois permitiu adquirir conhecimentos sobre o que se entende por MOOCs, o quanto são importantes no que respeita a sua função na educação online, sobretudo para as empresas que desejam atualizar as competências dos seus funcionários e no âmbito social em que as pessoas podem aprofundar e alargar os seus conhecimentos o que contribui para a sua realização.
4. Conclusões/ Considerações Finais
MOOCs são cursos abertos, flexíveis, online, gratuitos, de acesso ilimitado e que podem ser acedidos por qualquer pessoa no mundo, bastando para isso que esteja conetada com a Internet. Devido a estas caraterísticas os MOOCs ultrapassam os cursos online, promovidos pelas universidades, os quais têm um custo por vezes elevado não permitindo o acesso a qualquer pessoa.
Assim, conclui-se que os MOOCs podem ser uma solução para a formação de um número ilimitado de pessoas a nível mundial que desejam atualizar os seus conhecimentos quer seja para progressão nas carreiras quer seja para a aquisição de novas competências.
Uma dificuldade que se manifesta nos MOOCs refere-se ao facto da inexistência na sua estrutura de um sistema avaliativo, o que implica que qualquer estudante que deseje ser avaliado tenha que pagar um custo, por vezes, elevado o que poderá dificultar ou até impedir a concretização dessa avaliação e a inerente obtenção do respetivo certificado. 

Referências bibliográficas

Allen, I e Seaman, J. (2014). Grade change: Tracking online learning in the United States. Wellesley MA: Babson College/Sloan Foundation. Acedido em 06/02/2015 de http://www.tonybates.ca/2014/10/12/what-is-a-mooc/
Bates, T. (2014a).  Comparing xMOOCs and cMOOCs: philosophy and practice. Acedido em 05/02/2015 de http://www.tonybates.ca/page/2/?s=Moocs
Bates, T. (2014b). Teaching in a digital age. Acedido em 04/02/2015 de http://opentextbc.ca/teachinginadigitalage/
Bates, T. (2014c). What is a MOOC? Acedido em 04/02/2015 de http://www.tonybates.ca/2014/10/12/what-is-a-mooc/
Christensen, C. (2010) Disrupting Class, Expanded Edition: How Disruptive Innovation Will Change the Way the World Learns. New York: McGraw-Hill
Christensen, C. e Weise, M. (2014). MOOCs’ disruption is only beginning. The Boston Globe. Acedido em 05/02/2015, de http://www.bostonglobe.com/opinion/2014/05/09/moocs-disruption-only-beginning/S2VlsXpK6rzRx4DMrS4ADM/story.html
Engle, W. (2014). UBC MOOC pilot: design and delivery. Vancouver BC: University of British Columbia. Acedido em 06/02/2015 de http://www.tonybates.ca/2014/10/12/what-is-a-mooc/
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Teixeira e Mota (2013). O que são os MOOC? Acedido em 05/02/2015, de http://eco.imooc.uab.pt/elgg/
Tharindu, Liyanagunawardena, Williams, S. e Adams, A. (2013). MOOCs and Beyond, May. eLearning Papers Nº 33. Acedido em 06/02/2015 de  http://www.openeducationeuropa.eu/sites/default/files/old/eLPapers_Issue33_EN.pdf

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